this is an h1

this is an h2

Tue Sep 13 11:30:11 BRT 2022
Mercado e Vendas | EMPRESA
Família Wessel: as dicas de quem tem experiência no mercado de carnes

Podcast com István Wessel, da Wessel Carnes, está nesse ramo há várias gerações e dá dicas para quem tem açougue, butique de carnes ou quer entrar nesse mercado

· Atualizado em 13/09/2022
Imagem de destaque do artigo
FAVORITAR
Botão favoritar

Ouça "Podcast Wessel_Dicas mercado de carnes" no Spreaker.

István Wessel, 74 anos, é a quarta geração de uma linhagem de especialistas em carne que começou na Hungria na década de 1830. Continuou com a imigração da família para o Brasil e com seu pai comprando um açougue no bairro paulistano do Bixiga, em 1958. E hoje prossegue com a quinta geração, Daniel e Tatiana, filhos de István, responsáveis por comandar a Carnes Wessel, um estabelecimento com 250 funcionários, sediado em uma moderna processadora em Araçariguama, no interior de São Paulo, e que se transformou em sinônimo de qualidade e sofisticação. A Wessel fornece para mais de dois mil estabelecimentos (entre açougues, supermercados e butiques de carnes). Desses, dois terços são pequenos empreendimentos.

“Sou, lamentavelmente, o último de nossa família que ainda sabe desossar um boi...”, comenta Wessel, que apresenta nesta entrevista dicas preciosas para quem quer abrir ou ampliar seu açougue ou butique de carnes.

Sebrae – Desde quando sua família está no negócio de carnes?

István Wessel – Meu bisavô, que nasceu em 1830, foi o primeiro mestre açougueiro reconhecido da família. Depois vieram meu avô e meu pai, que recebeu o título em 1934, na Hungria. Escapamos do nazismo e do regime comunista, chegando ao Brasil no início de 1957. Onde meu pai foi trabalhar? Em um açougue, é claro, como balconista, ganhando salário mínimo. Aí aproveitou as oportunidades, a inflação baixa e, no ano seguinte, abrimos um açougue no bairro do Bixiga, em São Paulo. Eu entrei no negócio nove anos depois. Hoje, dirijo a Carnes Wessel com meus filhos Tatiana e Daniel.

A adaptação ao Brasil foi fácil?

Meu pai dizia que o brasileiro é o melhor consumidor do mundo, o mais tranquilo. Não reclama, por exemplo, quando a faca escorrega e em vez de cortar um quilo de carne, como havia sido pedido, corta 1,2 quilo. Isso não existe na Europa. Mas houve problemas, claro. O primeiro aconteceu quando uma freguesa veio com uma caderneta, para anotar os pedidos e pagar no fim do mês. Meu pai não aceitava. Comprava à vista e queria vender também à vista. E foi impondo suas condições; não trabalhava fiado.

Sebrae – Quando a empresa deu seu grande salto?

Com a implantação da indústria automobilística em São Paulo. Primeiro foram os alemães da Volkswagen, que souberam que havia, no Bixiga, um açougueiro que vendia os cortes que eles conheciam na Europa. Depois vieram os franceses da Renault, os americanos da Wyllis e um foi avisando o outro. Mas o crescimento aconteceu principalmente com a formação de uma clientela no bairro. Em 1969, eu consegui um estágio em um frigorífico na Holanda e de lá trouxe a ideia das carnes maturadas. É uma forma de tornar as carnes mais macias aproveitando suas próprias características, e que deu muito certo no Brasil.

Com a evolução do mercado de carnes, você sugere a quem está começando apostar em carnes mais baratas ou nos cortes mais sofisticados?

O cliente que compra hoje uma carne para fazer seu churrasco está cada vez mais exigente, não importa a classe social ou o local onde viva. Talvez ele ou ela só possam comprar essa carne uma vez por mês, mas, naquela refeição, querem o melhor. Então, acho que a grande aposta deve ser nessa sofisticação do consumidor.

O sr. pode dar alguns exemplos desses cortes mais sofisticados?

Nos anos 70, havia duas ou três churrascarias em São Paulo que serviam espetos, em geral formados por um pedaço de filé mignon, outro de frango, lombo, uma linguiça, cebola e tomate assados. A popularização do churrasco, nas décadas seguintes, levou à substituição do filé por um corte que naquela época era novo, a picanha. Hoje, a criação de bois evoluiu bastante e há muitas outras carnes macias. Entre elas o Shoulder, Denver e o Short Rib.

Foi seu pai que trouxe a picanha para o Brasil?

Acho que não. Mas ele conhecia o corte, muito semelhante ao que se fazia na Europa e, certamente, ajudou a popularizar a picanha por aqui.

Qual é o segredo da escolha de um bom ponto comercial?

Não existe segredo, há muitas questões envolvidas: o tipo da vizinhança, a frequência ou não de pessoas... Mas vou contar uma história: quando meu pai foi escolher o ponto para o açougue no Bixiga, me levou para reconhecer o bairro. Descobrimos que havia uns dez açougues na região, um perto do outro. Achei que ele ia desistir, mas disse que não. “Se há tantos açougues por aqui é porque tem muita gente comendo carne; é só uma questão de trabalhar melhor que os outros.” Ele estava certo.

 

Qual ou quais produtos você indicaria como tendo um bom custo-benefício ou que trazem bons resultados para esse mercado?

Hamburger. Nos anos 60, 70, quando você queria um bom hamburger em São Paulo, tinha que ir a um ou dois lugares. Hoje, o hamburger representa 70% de nosso movimento. Quem não gosta de um bom hamburger, que sai muito mais em conta do que um corte porque, ao se moer, aproveita-se melhor a carne? O brasileiro até criou uma nova denominação, hamburgueria! Eu estava conversando esses dias com um distribuidor de Parauapebas, no Pará. Só naquela cidade existem umas 30 hamburguerias. Mas, atenção. Hoje, o consumidor está muito mais atento ao que há dentro do hamburger. Ele quer carne, não seis linhas de produtos químicos no rótulo. Por isso dizemos que nosso único conservante é o frio.

A pandemia fez crescer muito o delivery. O delivery de carnes é um bom negócio?

Ele veio para ficar. Até porque a carne não perde nada com o transporte: chega perfeita. E tem mais: você coloca a carne em uma churrasqueira no pátio, na varanda ou na área de casa, toda a família come e a cozinha fica limpinha. Aliás, outra dica importante: o consumidor está mais cuidadoso com a saúde e hoje, quando se fala em carne, fala-se em grelhados.

Já que estamos falando em saúde, o negócio de carnes não entrou em crise com a onda de alimentação saudável?

De jeito nenhum. O que é alimentação saudável? É aquilo de que você gosta, que faz bem a você. E um bom queijo, uma boa peça de carne, coisas de que você gosta, vão lhe fazer bem.

Qual foi o maior erro que vocês cometeram ao longo da trajetória da empresa

Cometemos muitos, é claro, e espero que continuemos cometendo outros. Mas, nos anos 1970, havíamos inaugurado a butique de carnes em um lugar muito sofisticado, em frente ao Shopping Center Iguatemi, em São Paulo. Uma cliente entrou e pediu carne de faisão. Eu disse que não tínhamos. Só frango... E ela perguntou como um lugar tão bacana não oferecia carne de faisão? Bom, procurei por todos os lados até descobrir um pequeno criador de faisões, no interior de São Paulo. Comprei dez quilos e coloquei na loja, todo feliz. A cliente entrou, adorou, comprou cinco quilos e foi embora. Acontece que eu não vendi mais nada... Um dia a cliente voltou, pediu outras carnes e eu perguntei se ela não levaria faisão. Ela respondeu que não, já havia comprado, talvez dali a uns seis meses... Tive que levar os cinco quilos de faisão para casa e eles eram deliciosos mesmo. Mas ficou a lição, que eu transmito a vocês que estão começando ou ampliando seu açougue: não aposte em carnes exóticas. Venda aquilo que o cliente consome no dia a dia, seis, sete vezes por semana.

O sr. acha um bom negócio oferecer no açougue acompanhamentos, molhos e mesmo equipamentos para fazer churrasco?

Acho. Quem vai preparar um bom churrasco não deixa de levar um bom molho, carvão ou acompanhamentos. Eles podem garantir ao seu negócio uma margem de lucro ainda melhor do que a carne. Quanto às facas e outras peças para fazer churrasco, é preciso cuidado para seus preços não estarem muito fora do mercado porque a indústria oferece diretamente produtos, por comércio eletrônico. Mas há ótimos pequenos produtores, por exemplo, de facas, no interior do Brasil, com os quais você pode fazer acordos e apresentar ao cliente peças de boa qualidade a preços competitivos.

Qual é o principal conselho que você dá para quem está começando no negócio de carnes?

Conheça bem seu bairro e seu consumidor. Ele ou ela vão dizer a você o que querem, o que você pode lhes oferecer. Eles é que vão guiar seu negócio.

FAVORITAR
Botão favoritar
Telegram

Fique por dentro dos acontecimentos no setor de alimentos e bebidas: siga as comunidades Sebrae, no Telegram.


Sebrae Bares e Restaurantes

Acesse: https://t.me/sebraebareserestaurantes


Sebrae Varejo de Alimentos e Bebidas

Acesse: https://t.me/sebraevarejodealimentos


Sebrae Mei de Alimentação

Acesse: https://t.me/sebraemeialimentacao



O conteúdo foi útil pra você? Sim Não
Obrigado!

Foi um prazer te ajudar :)

FAVORITAR
Botão favoritar
Precisa de ajuda?

Nós temos especialistas prontos para atender você e o seu negócio de forma online e gratuita.

Acesse agora

Posso ajudar?