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Mon Sep 04 16:23:54 BRT 2023
Empreendedorismo | EMPREENDEDOR
A inspiração que salva

Como uma ação empreendedora contribui para a reciclagem de sobras de materiais, diminuindo o impacto ambiental, e a reciclagem dos sonhos de uma mulher

· 19/04/2023 · Atualizado em 04/09/2023
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Manu Rosa tem 33 anos e se diz apaixonada pela música e pela arte. Passa o tempo todo atenta a tudo o que está ao seu redor em busca de inspiração. E é completamente seduzida pelo desenho das coisas. Quer descobrir o sentido dos formatos, como e porque as coisas são assim. Manu é investigadora por natureza.

Talvez, essas características justifiquem a escolha profissional dela. Manu estudou na UnB - Universidade de Brasília. Fez o curso de Design Gráfico e de Produto. Mas quando se define faz questão de lembrar que, antes de tudo, é uma artista e uma artesã.

Quando decidiu botar o pé na profissão, as dúvidas apareceram. Os primeiros trabalhos não conseguiram traduzir-se como se desenhavam nos sonhos de Manu. E o que era uma expectativa foi tomando ares de frustração. As empresas a que se vinculou não correspondiam ao seu projeto de vida e fez crescer nela a sensação de que o seu potencial estava sendo subutilizado.

Esse sentimento foi o que fez Manu passar muito tempo buscando um novo caminho. Ela tinha pressa em saber o que fazer da vida. Queria algo criativo, relacionado à moda, relacionado às coisas que lhe permitisse exercer com mais intensidade o seu lado criativo. Ela então decidiu ampliar os seus conhecimentos. Fez vários cursos na ânsia de identificar o rumo a tomar. Ansiedade, aliás, é uma palavra que a acompanha ao longo da vida.

Quando a ansiedade ultrapassa os limites do aceitável, vira um problema. No caso da Manu, que andava insatisfeita com a vida, a ansiedade a levou a crises emocionais que acentuaram o risco de que ela caísse numa depressão. Ninguém está livre de passar por situações assim. Ainda mais, como mostra a história recente, quando a gente se vê de algo tão ameaçador quanto uma pandemia.

Não faz muito que o Brasil e o Mundo se viram diante de uma pandemia de Covid-19. Uma doença de propagação rápida e alta letalidade. Transmitida por um vírus devastador e mutante. Contra o qual ainda não havia sido descoberta uma vacina. De repente, o mundo parou  por causa da Covid-19.

Aquela aceleração por fazer as coisas, a falta de tempo, a corrida por conquistar espaço e dinheiro, as ambições pessoais e coletivas, tudo, de uma hora tudo perdeu o sentido. Tudo ficou menor do que a necessidade de se proteger do vírus enquanto a ciência iniciava uma corrida louca para descobrir algo capaz de enfrentar a doença, de estancar a sequência de dor e mortes que se espalharam aos milhões em volta do mundo.

Pois, foi exatamente em meio a uma crise dessas proporções, quando todo mundo estava recolhido e as ruas vazias, que Manu descobriu um novo caminho. Viu um anúncio sobre o início de um curso de ourivesaria. Matriculou-se. Não perdeu uma aula e percebeu que estava ali um bom caminho para se livrar da depressão e retomar o controle da vida. Ela não sabia ainda, mas acabava de nascer uma nova Manu. Decidida a enfrentar seus medos, com coragem e persistência para superar obstáculos e disposta a provar para si mesma que a criatividade era a razão da sua vida.

O curso de ourivesaria foi a semente que fez nascer a “Manualmente Joias Criativas”. Mas a escolha do material que ela usaria em suas criações veio com a marca da sua inquietude: Manu queria reaproveitar materiais. Fazer peças que tivessem a marca do seu estilo de ver o mundo. Novos brincos, colares, pulseiras, resultantes da transformação de outros produtos.

No momento, ela trabalha com o reaproveitamento das sobras de óculos. Escolha que adiciona um nível de dificuldade grande ao negócio que Manu empreende. Porque demanda um tempo grande de buscas de fornecedores de matéria-prima. Também porque os cortes e a moldagem das peças exigem um tempo que não é o mesmo de um processo industrial.

Mas a determinação e o perfil empreendedor da Manu tem funcionado como fatores indispensáveis para as suas escolhas de vida. E, a cada dia que passa, ela mais se identifica com uma tendência Slow Fashion, expressão em inglês que aponta para uma produção de moda feita sem pressa. Que oferece ao consumidor produtos mais duráveis, confeccionados por meio de processos sustentáveis e corretos. Com mais apuro e cuidado. Quando assume a produção mais cadenciada dos seus produtos, a “Manualmente Joias Criativas” reafirma o seu conceito de não embarcar em tendências de curto período.

Por ser uma artista por natureza, Manu aprendeu a reconhecer as suas características essenciais e hoje tira proveito delas ao invés de ceder à angústia. Isso significa que o processo de criação de uma de uma peça ou coleção pode levar meses. Porque o pressuposto da ação é estudar o refugo (matéria-prima original da sua indústria) para decidir em que medida ela poderá aplicar os conceitos de arte que transformarão o que já foi resto em jóia.

Em grande parte, é isso o que faz de cada peça ser única. A escassez de material, os cortes manuais diferentes para cada etapa do processo, a descoberta de ferramentas e a liberdade de criar pela qual a Manu tanto lutou.

Nessa fase, a orientação ao empreendedor é fator imprescindível. Um descuido pode ser decisivo para o insucesso da iniciativa. Por isso o Sebrae põe ao alcance de todos que desejam ingressar no mundo dos negócios cursos de formação, que ajudam quem quer empreender a atribuir valor às etapas do processo criativo e de produção. É desta forma que se torna possível calcular o preço compatível com o investimento  de tempo, tecnologia e conhecimento feito para chegar ao produto final, assegurando a margem de lucro necessária para tornar viável o negócio.

Quando a Manu Rosa para diante do espelho hoje é capaz de enxergar a diferença enorme que a distingue daquela imagem que via no passado. A menina ansiosa, angustiada por encontrar algo que desse sentido à sua escolha profissional, transformou-se em uma mulher decidida, convicta das decisões que tomou. E jogando pra bem distante as inseguranças pessoais. Seu ponto de venda físico funciona num ambiente coletivo, em Brasília, que reúne vários outros empreendedores de sucesso. Experiência reduz os custos de operação e amplia o alcance do seu público consumidor por excelência. Quem vai a aquele ambiente busca novidades, não se contenta com peças e produtos industriais. Quer a diferença do que é feito à mão.

Manu e suas jóias também têm uma presença constante e intensa nas redes. Como ela faz questão de reafirmar, é impossível desconsiderar a rapidez e o impacto produzido pelas plataformas digitais.

Entre os desafios que tem pela frente, está a identificação de uma rede de fornecedores de matéria-prima  que dê tranquilidade ao fluxo de produção. Essa, aliás, é uma das orientações dada pela equipe de consultores do Sebrae a todo empreendedor: Criar um cadastro com mais de um fornecedor por produto para evitar uma relação de dependência e reduzir o risco de desabastecimento. 

Ela enxerga a sua empresa crescendo sem perder a essência. E tem uma dica para quem quer seguir esse caminho: É preciso aprimorar a técnica do fazer, mas não é só isso. É preciso ampliar o olhar e estar aberto a novas ideias criativas. É importante perceber de que forma, usando o seu conhecimento, você pode oferecer ao mundo um produto mais durável e mais útil. E as soluções para cada obstáculo não tem fórmulas exatas. Para a Manu, é essencial pensar no produto. Mas também é essencial pensar nas pessoas que vão usar aquele produto que nasceu por meio das suas mãos.  

Palavra de alguém que, literalmente, foi salvo pela inspiração.    

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