Para decidir entre o melhor método, o empresário deve levar em conta o fluxo de caixa e o que será pago imediatamente como imposto de renda.

PEPS
O método PEPS (Primeiro a entrar, primeiro a sair) é utilizado para determinar o custo do produto vendido, sendo o mais recomendável para restaurantes, por tratar-se, muitas vezes, de produtos perecíveis.
Um exemplo simples que revela o efeito dos diferentes métodos de composição de custos sobre estoques e lucros é o dado pelo “Alegria da Pança Restaurante Ltda.”. O estabelecimento comprou produtos da empresa Vinho Encorpado, pelos seguintes preços:
- Fevereiro – R$ 20,00;
- Junho – R$ 30,00;
- Julho – R$ 40,00.
Porém, em agosto, o custo do produto entregue pelo fornecedor foi reajustado para R$ 50,00.
Sabendo que em setembro uma única unidade do vinho Encorpado foi vendida à vista por R$ 45,00, pede-se para calcular qual o valor do custo da mercadoria vendida, o resultado líquido da transação e o valor do estoque remanescente para a empresa, empregando os critérios PEPS e Custo Médio. Deve-se considerar o pagamento de Imposto de Renda no valor de 20% do lucro da operação.
Independentemente do critério empregado para a formação do custo, sabe-se que o fluxo de caixa da empresa será sempre igual aos R$ 45,00 recebidos da venda à vista, deduzidos do valor pago ao Imposto de Renda, considerando a empresa tributada por lucro real.
PEPS
Caso a empresa optasse pelo uso do critério PEPS, o custo seria o do produto mais antigo. No caso, R$ 20,00.
Assim, o lucro bruto seria: R$ 45,00 – R$ 20,00 = R$ 25,00.
O Imposto de Renda a ser pago seria de 20% sobre R$ 25,00, ou seja, R$ 5,00.
O resultado líquido seria: R$ 25,00 – R$ 5,00 = R$ 20,00.
O estoque contabilizado corresponderia à soma das duas unidades remanescentes: R$ 30,00 + R$ 40,00, valor total igual a R$ 70,00.
Custo médio
O emprego do custo médio indica o cálculo com valores intermediários. Por exemplo, o custo corresponderia a uma média ponderada das três unidades: (R$ 20,00 + R$ 30,00 + R$ 40,00) / 3 = R$ 30,00.
- O resultado bruto corresponderia a R$ 45,00 – R$ 30,00 = R$ 15,00.
- O valor do Imposto de Renda corresponderia a 20% de R$ 15,00, ou R$ 3,00.
- O resultado líquido seria igual a R$ 15,00 – R$ 3,00 = R$ 12,00.
À primeira vista, o melhor critério para a apuração dos números seria o PEPS, que fornece o maior dos lucros. Porém, uma análise mais cuidadosa revelaria que um maior lucro também estaria associado a um maior desembolso com o Imposto de Renda. Assim, a análise do fluxo de caixa seria essencial para a escolha do melhor método.
A construção do fluxo de caixa deveria levar em consideração o recebimento à vista das receitas, deduzido do pagamento do Imposto de Renda (supondo que os estoques já estivessem integralmente pagos).
Dessa forma, o movimento de caixa associado a cada um dos critérios seria:
Método PEPS
- Recebimentos R$ 45,00.
- Desembolsos R$ 5,00.
- Movimento de caixa R$ 40,00.
Custo médio
- Recebimentos: R$ 45,00.
- Desembolsos: R$ 3,00.
- Movimento de caixa: R$ 42,00.
O grande efeito do uso de um dos critérios é o impacto no imposto de renda a pagar. Naturalmente, quanto maior o custo da mercadoria vendida, menor o estoque, maior o resultado e o Imposto de Renda a pagar. Quanto maior for o Imposto de Renda a pagar, menor o fluxo de caixa da empresa.
Assim, recomenda-se o uso do custo médio ponderado, que, além de apresentar uma grande simplificação na apuração dos custos, permite o ganho financeiro – expresso no maior fluxo de caixa e na postergação do imposto devido.
Saiba mais
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