Este artigo, de Cristiana Arcangeli, fundadora de empresas de cosméticos, ajuda o empreendedor a perceber nichos de mercado a partir da própria experiência.
O empreendedor, ao decidir por um negócio, precisa fazer uma escolha: se vai apostar em mercados conhecidos, que oferecem conforto por estarem disseminados entre os consumidores, sobrando-lhe uma concorrência já estabelecida e a guerra de preços; ou se vai arriscar novos rumos, explorando tendências de mercado e descobrindo seu oceano azul.
Para quem escolhe a primeira opção, tudo bem. Basta apenas reduzir os custos e ajustar a margem para conseguir um lugar ao sol. É tudo uma questão de administração e de resultados nem sempre espetaculares, mas quase garantidos, se o negócio for bem pensado e estruturado.
Para quem, como eu, prefere a segunda opção, a de descobrir mercados, criar hábitos de consumo e inovar, os resultados vêm a longo prazo, mas são certos e possivelmente maiores. Mas a dúvida é: como descobrir o que está por vir?
A arte de descobrir nichos
Acredito que isso se deve a um exercício de análise, de pesquisa, de ir a campo, de entender novos rumos e de criar negócios a partir disso. Querem um exemplo?
Sabemos que o ser humano quer viver por mais tempo e com saúde, o que só pode ser alcançado com alimentação saudável, exercícios físicos, cuidados com a aparência e prevenção de doenças. Desse modo, todos os mercados ligados a isso têm boas perspectivas.
Quem trabalha com qualidade de vida, seja com produtos ou serviços, já tem meio caminho andado. E, se vamos viver mais, significa que teremos mais idosos, certo? Está aí outro grande nicho a ser explorado. O raciocínio é basicamente esse.
Ah, claro, não podemos esquecer o efeito oposto a isso: a indulgência. Geralmente, quem foca no wellness faz concessões e escapa um pouco da rotina como forma de recompensa. Por isso, chocolates, brigadeiros, entretenimento e afins têm boa perspectiva de futuro.
Muita coisa já foi feita nesses setores, mas ainda há muito o que fazer. É preciso, então, descobrir oportunidades e brechas dentro desse contexto, unindo informações e analisando a sociedade de um jeito crítico, antropológico e rigorosamente científico - mas é claro que uma dose extra de sensibilidade é fundamental.
Somar condições pode ser ainda melhor. Que tal pensar em alimentos, passeios, academias, cosméticos e produtos para a terceira idade? Mas tire da cabeça a imagem de velhinhos de chinelo, pois o idoso atual quer viver experiências.
Cada empreendedor vai descobrir um jeito particular de ponderar suas expectativas, o mercado de que mais gosta e as previsões futuras da sociedade e do modo como vamos passar a viver.
Particularmente, viajar e ver coisas diferentes ainda é o que mais desperta a minha criatividade - outra dica importante que compartilho. Fugir da rotina nos dá outra perspectiva e abre a mente para novas ideias.
Autoria: Cristiana Arcangeli é empreendedora e atua no ramo de cosméticos desde 1986. Ela é fundadora de marcas como Phytoervas, Éh Cosméticos e Beauty In.
Conteúdo originalmente publicado no Portal de Empreendedorismo da Endeavor.
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