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Empreendedorismo

Empreendedoras do Amapá: Associação de Mulheres Idosas Sol Nascente

Raimunda Nascimento de Oliveira com a perda dos pais e um filho adotivo reencontrou força e entusiasmo no seu trabalho à frente da Associação.

Empreendedoras do Amapá: Associação de Mulheres Idosas Sol Nascente
· 11/08/2014 · Atualizado em 18/02/2016
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Um raio de sol

Raimunda Nascimento de Oliveira é sócia-fundadora da Associação de Mulheres Idosas Sol Nascente – uma associação que existe, de fato e de direito, há seis anos, embora tenha mais de 20 anos de história.

A associação veio concretizar um grande sonho de Raimunda, que desde muito jovem fez trabalhos voluntários com o objetivo de auxiliar os mais carentes, principalmente na área da saúde.

Quando começou a ficar idosa, Raimunda acreditou na possibilidade de organização das comunidades onde viveu, focou suas atividades de auxílio na clientela idosa, com quem tinha identificação maior. E assim nasceu a associação, com ações voltadas a dezenas de idosos do município de Santana.

Um anjo da bondade

Quando veio para o Amapá, grávida da primeira filha pensava com devoção, em um futuro melhor. O marido começou a trabalhar “com uma baiúca, como autônomo”, D. Raimunda conta. Seus primeiros contatos com a comunidade também foram através da oração, com visitas periódicas às famílias. Com o tempo, porém passou a ajudar as pessoas nas suas mais diversas dificuldades.

Conseguia marcar consultas médicas na rede pública de saúde para quem precisasse, auxiliava os idosos que procuravam aposentadoria e outros direitos, e como aos poucos foi percebendo que quem tinha maior necessidade de auxilio eram os idosos e acabou voltando seu trabalho apenas para este segmento. “Daí eu criei na minha mente que a nós devíamos fazer uma ação. Coloquei em pauta para a discussão coma comunidade e conseguimos montar a Associação”. A Associação de Mulheres Idosas Sol Nascente existe de fato há seis anos, embora tenha mais de 20 anos de história.

Com mais de 100 membros hoje, a associação chegou a contar com quase 300, que aos poucos foram sendo atraídos por outros grupos que na maioria das vezes nem chegava a lhes trazer benefícios. As reuniões são realizadas na área externa da casa e D. Raimunda, uma varanda com porte para abrigar até mesmo as festas da associação, construída com seus próprios recursos, pois a entidade não possui sua sede como sonham os idosos.

Os associados são mulheres e homens com mais de cinquenta anos, embora o nome da entidade tenha destacado apenas a participação feminina. Eles fazem atividade de dança e artesanato por três vezes durante a semana, e recebem semanalmente a visita de uma enfermeira que lhes verifica a pressão arterial. O instrutor de dança é cedido pela Prefeitura de Santana, assim como a enfermeira.

Este é o único apoio que a Associação recebe hoje, alguns anos atrás, tiveram o incentivo da Secretaria de Ação Social do Estado, por meio de um pequeno convênio que durou um ano e que garantia estrutura para as reuniões, instrutores e lanches para as oficinas. Há dois anos sem o apoio financeiro de nenhuma instituição pública ou privada, a Associação faz pelos idosos o que é possível, contando muitas vezes com a própria vontade dos participantes, que colaboram com o pouco que tem para manter a Associação e para realizar pequenos eventos como a festa dos aniversariantes do mês. Para isso, eles comercializam cestaria produzida por eles mesmos, com material fornecido pelo IBAMA, entre outras peças artesanais.

Em sua maioria, os idosos são carentes, mas não medem esforços para participar das atividades. Faça chuva ou faça sol, seja perto ou distante, eles estão sempre presentes. A associação tem o projeto pronto de uma sede própria, um centro de convivência onde os associados possam contar com o espaço para lazer e para outros benefícios.

Enquanto o sonho não se realiza, D. Raimunda diz que contentaria com o empréstimo de uma piscina para prática de natação pelo menos uma vez por semana, uma visita médica à entidade também uma vez por semana, e um transporte, por enquanto, e não por falta de vontade de D. Raimunda, que mesmo andando com dificuldade por problemas de saúde, não cansa de buscar apoio para a Associação.

Poucos anos atrás, D. Raimunda perdeu seus pais e um filho adotivo que já contava 22 anos. Diz que depois disso perdeu a vontade de viver e reencontrou o entusiasmo no seu trabalho à frente da Associação. Seu empenho maior hoje é para que os idosos possam se sentir úteis e ter uma velhice tranquila e saudável, com inclusão social e reconhecimento de sua experiência humana.

Sua filha tem 26 anos, faz faculdade, e o filho, de 16, faz o ensino médio. E ela , aos 60, com sua força, sua solidariedade e sua crença de que sempre se deve ter esperanças, é o porto seguro, o raio de sol nascente de todos eles e dois idosos que participam da Associação.

Mesmo com 100 membros efetivos dona Raimunda acredita que tem muito ainda para contribuir com a comunidade, principalmente com os idosos que têm que exercer a sua cidadania, em uma organização social que garante a autonomia e independência  das pessoas idosas, com possibilidades de qualidade de vida, saúde no seu envelhecimento; inserindo-as no contexto da sociedade como guardiãs de histórias - experiência – sabedoria e conhecimento.

A iniciativa, além de resgatar a dignidade e a cidadania de pessoas menos favorecidas em Santana, levou capacitação em habilidades artesanal gerando renda aos familiares dos idosos, proporcionando-lhes o fortalecimento de sentimento de utilidade, cooperação, oportunidades e direitos na sua velhice.

Organizando a comunidade

D. Raimunda mora há 27 anos em uma casa simples de madeira e concreto, numa rua tranquila de Santana. Desde que deixou o município de Gurupá, no Estado do Pará, e veio com o marido em busca de melhores condições de vida, mora na mesma casa, na mesma rua. Em Gurupá, os dois nasceram e cresceram agricultores, mas Raimunda soube desde cedo que além de plantar e colher, podia também trabalhar em beneficio de sua comunidade.

Descobriu que os cultos na Casa Dominical de Gurupá não eram o suficientes para melhorar a vida dos agricultores, sentia-se capaz de reunir as pessoas, de colocar em discussão as dificuldades de cada família, de fazer com que as pessoas expusessem seus sonhos, e foi assim que muito cedo se tornou uma espécie de líder na comunidade onde habitava, alfabetizando crianças e adultos com o pouco que sabia.

Com sua boa vontade, D. Raimunda sensibilizou o prefeito da cidade, e a comunidade ganhou a sua primeira escola, que funciona até os dias de hoje. “Antigamente você estudava pouco e aprendia muito. Hoje em dia a pessoa, estuda, estuda e não tem aquela aprendizagem que tinha antigamente”, diz D. Raimunda, enquanto costura os coloridos vestidos das idosas da comunidade que irão participar da quadrilha na próxima festa junina. Ao seu lado, duas jovens voluntárias ajudam na costura.

Colaboradores

Gestor de conteúdos: Maikon Richardson; Design gráfico: Rauan Maia; Revisão de texto: Liliane Ramos, Camila Melo; Digitalização: Camila Melo.

Fonte: Histórias de Sucesso: Mulheres de Negócios do Amapá. Macapá: Sebrae/Ap,2007


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