Agências da região registram aumento de 80% na procura por turismo e profissionais esperam repetir a demanda que ocorreu na versão da novela de 25 anos atrás.

O remake da novela Pantanal, da Globo, fez com que a procura por passeios nas cidades da região aumentasse em até 80%, segundo informações de agências de turismo do Mato Grosso do Sul.
São turistas que estão ainda programando a viagem para os próximos meses, o que pode ser uma oportunidade para guias, agências de viagem e hotéis que prepararem pacotes especiais para esse tipo de visitante.
As cidades de Corumbá e Miranda estão entre os destinos principais. A versão original, gravada há 25 anos, pela extinta Rede Manchete, também gerou maior demanda por passeios na ocasião, de acordo com as agências.
Desta vez, porém, a região está muito bem preparada, com toda a infraestrutura para proporcionar as melhores experiências.
Cenários diferentes
O Pantanal fica localizado na Bacia do Alto Paraguai e forma uma planície sedimentar de aproximadamente 151 mil quilômetros quadrados. A maior parte do território fica entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas também se estende aos países vizinhos Bolívia e Paraguai.
Trata-se da maior área úmida do planeta, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera.
O Pantanal apresenta diferentes paisagens por ser a região de encontro de cinco biomas: Cerrado, Chaco, Amazônia, Mata Atlântica e Bosque Seco Chiquitano. Esse tipo de formação é chamada de ecótono, ou complexo de ecossistemas.
Belezas naturais
O Pantanal é perfeito para o ecoturismo, considerado uma das principais tendências do setor, principalmente, após o isolamento social provocado pela pandemia de covid-19.
Promover o contato com a natureza e com a cultura local, de forma sustentável e com incentivo à conservação, é considerado o roteiro ideal para quem deseja se desligar do dia a dia da vida urbana.
Para respeitar esses princípios, é importante preparar atividades que promovam a vivência e o conhecimento da natureza e das comunidades locais.
O empreendimento não precisa necessariamente ter relação direta com a novela, mas pode contar com o conhecimento das populações da região para dar ao turista o gostinho de se sentir dentro daquelas paisagens lindas que se vê na TV.
Possibilidades
Conhecer a vida em uma fazenda é também uma possibilidade. Passeios a cavalo e conhecer a vida do boiadeiro e de moradores nas vilas de ribeirinhos, ainda que menos romantizada do que na novela, são experiências que os viajantes vão guardar na memória e recomendar a amigos na volta para casa.
Dessa forma e com a conscientização dos viajantes, os empreendedores contribuem para a geração de renda na comunidade e evitam a eventual degradação do ambiente.
Duas das premissas do ecoturismo e da base local é oferecer uma experiência de vivência com o deslocamento responsável por áreas naturais, visando à preservação do meio e o bem-estar da população local.
A estância Caiman, um oásis de 53 mil hectares, localizada em Miranda, no Mato Grosso do Sul, é precursora do ecoturismo na região e referência em preservação da flora e da fauna, ecoturismo, geração de conhecimento e pecuária.
Saiba mais sobre como a combinação entre ecoturismo e sustentabilidade ajuda na preservação o Pantanal, no artigo de Malu Pinheiro, da Um Só Planeta.
Planejamento
Por ser uma prática que envolve a comunidade, o turismo ecológico é um empreendimento de muitas mãos.
Antes de se construir qualquer instalação para este fim, é preciso pensar se o projeto atende a questões como o respeito à capacidade do local em receber determinada construção, segurança das práticas e a manutenção do meio ambiente, entre tantas outras.
Longe de toda a infraestrutura que a zona urbana oferece, os empreendedores têm responsabilidades diferentes, como:
- Estabelecer limites de carga para evitar o uso excessivo do meio ambiente pelos visitantes;
- Construir ou usar instalações de pequena escala, com arquitetura que pouco mude a paisagem do entorno, com materiais locais e equipamentos que reduzam o uso de recursos naturais, como energia;
- Apresentar exposições sobre a região que eduquem e conscientizem o turista sobre técnicas locais de conservação;
- Oferecer instruções e códigos de conduta para turistas e operadoras de viagem, novamente, em formatos que reduzam a geração de resíduos e o uso de recursos naturais;
- Treinar os guias para que ofereçam informações exatas sobre a diversidade biológica e as técnicas de conservação;
- Integrar as comunidades locais à atividade turística, com geração de emprego e renda por meio de passeios em vilarejos que mostrem também tradições culturais e o modo de vida local.
Montar um plano de negócio estruturado, no ecoturismo, é determinante diante de tantas variáveis e possibilidades. O empreendedor dessa atividade precisa sempre lembrar de uma das premissas do trabalho com turismo: é importante se profissionalizar para melhor receber.
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